terça-feira, 26 de novembro de 2013

Seremos uma célula cancerígena a ser extirpada?

"Ou começamos a nos sentir parte da natureza e então a respeitamos como a nós mesmos, ou passamos do paradigma da conquista e da dominação para aquele do cuidado e da convivência e produzimos respeitando os ritmos naturais e dentro dos limites de cada ecossistema ou então preparemo-nos para as amargas lições que a Mãe Terra no dará."

Há  negacionistas da Shoah (eliminação de milhões de judeus nos campos nazistas de extermínio) e há negacionistas das mudanças climáticas da Terra. O primeiros recebem o desdém de toda a humanidade. Os segundos, que até há pouco sorriam cinicamente, agora veem dia a dia suas convicções sendo refutadas pelos fatos inegáveis. Só se mantem coagindo cientistas para não dizerem tudo o que sabem como foi denunciado por diferentes e sérios meios alternativos de comunicação. É a razão ensandecida que busca a acumulação de riqueza sem qualquer outra consideração.

Em tempos recentes temos conhecido eventos extremos da maior gravidade: Katrina e Sandy nos USA, tufões terríveis no Paquistão e em Bengladesh, o tsunami no Sudeste da Ásia e o tufão  no Japão que perigosamente danificou as usinas nucleares em Fukushina e ultimamente o avassalador tufão Haiyan nas Filipinas com milhares de vítimas.

Sabe-se hoje que a temperatura do Pacífico tropical, de onde nascem os principais tufões, ficava normalmente abaixo de 19,2ºC. As águas marítimas foram aquecendo a ponto de a partir de 1976 ficarem por volta de 25ºC e a partir de 1997/1998 alcançaram 30ºC. Tal fato produz grande evaporação de água. Os eventos extremos ocorrem a partir de 26ªC. Com o aquecimento, os tufões estão acontecendo com cada vez mais frequência e maior velocidade. Em 1951 eram de 240 km/h; em 1960-1980 subiram para 275 km/h; em 2006 chegaram a 306 km/h e em 2013 aos terrificantes 380 km/h.

Nos últimos meses quatro relatórios oficiais de organismos ligados a ONU lançaram veemente alerta sobre as graves consequência do crescente aquecimento global. Com 90% de certeza é comprovadamente provocado pela atividade irresponsável dos seres humanos e dos países industrializados.

Em setembro o IPPC que articula mais de mil cientistas o confirmou; o mesmo o fez o Programa do Meio Ambiente da ONU (PNUMA); em seguida o Relatório Internacional do Estado dos Oceanos denunciando o aumento da acidez  que por isso absorve menos C02; finalmente em 13 de novembro em Genebra a Organização Meteorológica Mundial. Todos são unânimes em afirmar que não estamos indo ao encontro do aquecimento global: já estamos dentro dele. Se nos inícios da revolução industrial o CO2 era de 280 ppm (parte de um milhão), em 1990 elevou-se a 350 ppm e hoje chegou a 450 ppm. Neste ano noticiou-se que em algumas partes do planeta já se rompeu a barreira dos 2ºC o que pode acarretar danos irreversíveis para os seres vivos.

Poucas semanas atrás, a Secretária Executiva da Convenção do Clima da ONU, Christina Figueres, em plena entrevista coletiva, desatou em choro incontido por denunciar que os países quase nada fazem para a adaptação e a mitigação do aquecimento global. Yeb Sano das Filipinas, na 19ª Convenção do Clima em Varsóvia ocorrida entre 11-22 de novembro, chorou diante de representantes de 190 países contando o horror do tufão que dizimou seu pais, atingindo sua própria família. A maioria não pode conter as lágrimas. Mas para muitos eram lágrimas de crocodilo. Os representantes já trazem no bolso as instruções previamente tomadas por seus governos e os grandes dificultam por muitos modos qualquer consenso. Lá estão também os donos do poder no mundo, donos das minas de carvão,  muitos acionistas de petrolíferas ou de siderurgias movidas a carvão, as montadoras e outros. Todos querem que as coisas continuem como estão. É o que de pior nos pode acontecer, porque então o caminho para o abismo se torna mais direto e fatal.Por falta de consenso entre os representantes dos povos, desprezando os dados científicos, se entende que as centenas ONGs presentes na 19.Convenção sobre o clima em Varsóvia abandonaram as discussões e em protesto foram embora.

Por que essa irracional resistência às mudanças que nos podem salvar?

Respondendo, vamos diretos à questão central: esses caos ecológico é tributado ao nosso modo de produção que devasta a natureza e alimenta a cultura do consumismo ilimitado. Ou mudamos nosso paradigma de relação para com a Terra e para com os bens e serviços naturais ou vamos irrefreavelmente ao encontro do  pior. O paradigma vigente se rege por esta lógica: quanto posso ganhar com o menor investimento possível, no mais curto lapso de tempo, com inovação tecnológica e com maior potência competitiva? A produção é para o puro e simples consumo que gera a acumulação, este, o objetivo principal. A devastação da natureza e o empobrecimento dos ecossistemas aí implicados são meras externalidades (não  entram na contabilidade empresarial). Como a economia neoliberal se rege estritamente pela competição e não pela cooperação, se estabelece uma guerra de mercados, de todos contra todos. Quem paga a conta  são os seres humanos (injustiça social) e a natureza (injustiça ecológica).

Ocorre que a Terra não aguenta mais este tipo de guerra total contra ela. Ela precisa de um ano e meio para repor o que lhe arrancamos durante um ano. O aquecimento global é a febre que denuncia estar doente e gravemente doente.

Ou começamos a nos sentir parte da natureza e então a respeitamos como a nós mesmos, ou passamos do paradigma da conquista e da dominação para aquele do cuidado e da convivência e produzimos respeitando os ritmos naturais e dentro dos limites de cada ecossistema ou então preparemo-nos para as amargas lições que a Mãe Terra no dará. E não é excluída a possibilidade de que ela já não nos queira mais sobre sua face e se liberte de nós como nos libertamos de uma célula cancerígena. Ela continuará, coberta de cadáveres, mas sem nós. Que Deus não permita semelhante e trágico destino.

domingo, 24 de novembro de 2013

USINAS TERMOELÉTRICAS NA APA

Muita gente ainda desconhece que foram construídas sorrateiramente três usinas termoelétricas no coração da APA Aldeia-Beberibe, próximo à área de preservação de mananciais (há ainda a ameaça de que se construa uma quarta).

Duas delas já estão instaladas e já funcionaram ininterruptamente entre outubro de 2012 e abril de 2013. Trata-se das unidades Pau Ferro I e Termomanaus, do Grupo EPESA. Ambas produzem 236 MW e queimam algo em torno de 1/2 milhão de litros de óleo diesel/dia em seus 568 motores. Produzem um ruído fenomenal, que pode ser ouvido a 12 ou 13 km de distância. Não sabemos nada sobre o controle de suas emissões gasosas, sabemos apenas que não há controle de poluição sonora. 

A terceira unidade, a UTE Termopower III, está sendo finalizada e tem previsão para iniciar seu funcionamento em janeiro de 2013. Essa terceira agregará mais 200 MW de potência ao complexo Termelétricas de Aldeia. 

Até o momento ainda não tivemos acesso aos relatórios de impactos ambientais. 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Reunião do Fórum com Gestores da Agencia Estadual de Meio Ambiente - CPRH



Ontem pela manhã, na sede da CPRH, foi realizada uma reunião de membros do Fórum com quatro gestores da CPRH - Carlos André Cavalcanti, Diretor Presidente; Isabella Costa, do Núcleo de Avaliação de Impactos Ambientais (NAIA); Hellder Nogueira, da Diretoria de Controle de Fontes Poluidoras (DCFP); Joice Brito, gestora da APA (Área de Proteção Ambiental) Aldeia Beberibe.
 Pelo Fórum de  Aldeia participaram da reunião Manoel Ferreira da Silva (Presidente); Hilton Fernando Losant Macedo; Wilton Torres Jansen e Herbert Tejo Pereira.
Como primeiro ponto foi discutido o traçado do Arco Viário Metropolitano. O Fórum expôs sua preocupação quanto à possibilidade da referida obra seccionar a Mata do CMNIC, com prejuizo ambiental incalculável; reportagens recentes na mídia dão como certa a liberação de recursos para a construção da via. Os representantes do Fórum questionaram como foram  realizadas as Audiências Públicas em 2012 e solicitaram a realização de nova Audiência, desta vez em Aldeia. O Fórum tem defendido um traçado para a via contornando a referida mata, a maior reserva florestal nativa ao norte do rio S. Francisco. A CPRH informou que o processo de licenciamento está na fase final da análise de viabilidade ambiental do empreendimento nos traçados propostos. Ficou deliberado que a CPRH encaminhará ao Fórum, em meio digital, o EIA - Estudo de Impacto Ambiental -  apresentado na CPRH e que realizará reunião para debater o licenciamento da via.
 Como segundo ponto foi discutido o funcionamento do Conselho Gestor da APA Aldeia Beberibe, criada em 2010.  A CPRH informou que encaminhou a entidades solicitação para indicação de representantes para compor o Conselho. Ficou deliberado que será convocada reunião com os membros já indicados para dar dinâmica ao Conselho.
 Como terceiro ponto o Fórum solicitou cópia das Licenças Prévias, Instalação e Operação e respectivos estudos dos processos de licenciamento das usinas termoelétricas em funcionamento na APA Aldeia Beberibe.
  Como quarto ponto o Fórum perguntou se o Camará Shopping poderia efetuar sua compensação florestal nas margens do rio Pacas. A CPRH irá contatar a CEHAB (Companhia Estadual de Habitação e Obras) para saber da execução de recomposição florestal das áreas de proteção afetadas pelo empreendimento habitacional Novo Redentor, construído no local pela citada entidade.
 Como quinto ponto, sobre o licenciamento de condomínios em Aldeia, membros da Fórum  afirmaram que a CPRH tem reconhecido a aplicação da Lei Municipal de Camaragibe em detrimento da Lei Estadual, solicitando revisão de tal posicionamento.   A CPRH informou que irá verificar se há posicionamento da Procuradoria Geral do Estado quanto a aplicabilidade das legislações indicadas como conflitantes, comprometendo-se a disponibilizar ao Fórum tal posicionamento.
 Como sexto ponto, sobre o licenciamento ambiental de um presídio estadual em Araçoiaba, a CPRH se comprometeu a informar a situação do possível licenciamento do empreendimento. O Fórum tem lutado para evitar tal empreendimento em Aldeia.
 Como sétimo ponto, o Fórum pediu a realização de fiscalização no território da APA para coibir a utilização de recursos hídricos (extração de água mineral) sem a devida outorga e licenciamento. A CPRH buscará articulação com a APAC - Agencia Pernambucana de Águas e Clima - para planejar ações efetivas em Aldeia, coibindo irregularidades.
 Como oitavo ponto o Fórum informou que tem um projeto de Estrada Parque para a PE-27 e pediu o Apoio da CPRH. Ficou deliberado que o autor do Projeto, arquiteto  César Barros, fará uma apresentação do Projeto.
 Por fim, ficou definido que ocorrerá nova reunião em aproximadamente três meses.

Presidente da CPRH virá hoje ao Fórum

ATENÇÃO! SUA PRESENÇA É IMPORTANTE!

Na reunião de hoje à noite o Fórum fará a avaliação das ações referentes à nossa participação no workshop “Ação Integrada da Cidadania em Aldeia”. Estará presente o Presidente da CPRH, Carlos André Cavalcanti, para conversar conosco sobre os problemas ambientais de Aldeia e respectivas soluções.

Como de hábito, a reunião começará às 19 horas, na sede campestre do Clube dos Oficiais da Polícia Militar (Estrada de Aldeia, km 6). 

WORKSHOP - PALESTRAS

PARTICIPE E DIVULGUE!





sábado, 16 de novembro de 2013

Workshop em Aldeia

Aldeia será palco de Ação Integrada da Cidadania 


Com a intenção de integrar as necessidades da comunidade com o poder público, acontece no dia 23 de novembro, a partir das 9h, na Faculdade de Odontologia de Pernambuco (FOP/UPE), mais uma Ação Integrada de Cidadania. Tornando possível que se estabeleça um desenvolvimento de consciência cidadã nos moradores e discutindo a questão ambiental e dos direitos humanos, a Secretaria de Articulação Social e Regional do Estado de Pernambuco (Seart), em parceira com o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Prefeitura de Camaragibe e parceiros, irão oferecer diversos serviços para os moradores da região. O evento irá atender a população de Aldeia, em Camaragibe.

Serão oferecidos serviços na área de saúde como exames e orientações para combater o câncer de boca, câncer de mama e doenças cardiovasculares; Além de cuidados com as doenças, também será realizada a emissão de documentos, como carteira de identidade, carteira de trabalho e título de eleitor. Durante o evento, haverá orientações sobre segurança e cidadania e orientação para o uso de crédito. O Hemope estará fazendo coleta de sangue para aqueles que desejarem fazer doação. Já a Celpe, novamente parceira do evento, irá disponibilizar para a população o cadastramento no Programa Nova Geladeira, beneficiando os moradores da região com tarifa social a trocar uma geladeira velha por outra nova, representando uma grande economia gerada na sua conta de energia.

O evento também irá discutir o meio ambiente. Serão realizados debates, palestras e workshops sobre a importância da preservação e sobre a questão ambiental. Aldeia se destaca por sua produção de flores e artesanato, sustentabilidade ambiental, conservação e defesa da Mata Atlântica e entidades ambientais. O Fórum Socioambiental de Aldeia irá trazer todos esses temas para os debates e mesas redondas. Os participantes poderão ainda participar de trilhas ecológicas pelo município e as crianças participaram de teatros de bonecos e plantação de mudas.

Além de todos esses benefícios e serviços que serão prestados à comunidade, aqueles que visitarem o evento também poderão ver a apresentação da escola de samba Gigantes do Samba. A Ação Integrada de Cidadania de Aldeira irá acontecer no dia 23 de novembro, a partir das 9h, na Faculdade de Odontologia de Pernambuco (FOP/UPE), localizada na Avenida General Newton Cavalcanti, número 1650 em Tabatinga, Camaragibe.

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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O Homem que Plantava Árvores

Marcos Sampaio, participante do Fórum SócioAmbiental de Aldeia, nos mandou o link de um belo video.
 É um material para assistir com prazer, compartilhar, discutir com crianças e jovens, especialmente nas escolas de Aldeia.
  http://www.youtube.com/watch?v=Klx8UBMRrMA
Mas apenas ver o vídeo não é suficiente.
É necessário que ações individuais e coletivas de reflorestamento sejam realizadas. Uma ação simples é conseguir mudas e plantá-las.
 Outra ação, mais gratificante e eficaz, é  conseguir sementes de árvores nativas, fazer mudas, cuidar para que cresçam saudáveis, transplantar para locais onde elas possam se transformar em árvores.
Façamos nossa parte, devolvendo ao meio ambiente um pouco daquilo que consumimos:
o ar que respiramos,
a água mineral que bebemos,
a alimentação que nos mantém vivos,
a madeira cortada para construir nossas casas,
entre muitas outras coisas.