quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Termelétricas em Aldeia - Tragédia Anunciada

Barragem de Botafogo, importante aquífero de Aldeia.
Usina termelétrica, situada dentro da APA, a poucos
metros de distância do aquífero
A poucos metros do santuário, em plena Área de Proteção Ambiental (APA Aldeia-Beberibe), nosso governo permitiu a construção de várias usinas termelétricas, movidas a óleo diesel. São consideradas das fontes mais poluentes do mundo. Por este motivo, países comprometidos com o meio ambiente não permitem este tipo de usina em seu território. Poluição sonora e poluição do ar. Muito em breve, Aldeia se transformará em local insalubre para se viver.

A construção de um complexo de TERMELÉTRICAS numa Área de Proteção Ambiental e de Proteção de Mananciais sem Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), por si só, já demonstra o desrespeito de nossos governantes para com a vida.

A cada dia os efeitos nefastos dessa irresponsabilidade generalizada atormenta os moradores de Aldeia.

Além do barulho torturante que se propaga num raio de mais de 12 quilômetros perturbando o sono e a quietude de um lugar que se caracterizava até bem pouco pelo silêncio e tranquilidade de suas noites, Aldeia, convive agora, diariamente, com a circulação de imensos caminhões transportando óleo diesel através de suas estradas, ruas e vielas.
Esses caminhões gigantescos com carga de óleo dobrada não apenas estão destruindo nossa já tão devastada, abandonada e caótica estrada, mas muito mais grave ainda, eles representam um potencial de morte, eles representam tragédias anunciadas. 

Todos que são usuários da estrada de aldeia sabe, desde muito, o perigo que essa estrada, sem acostamento, sem calçadas, sem ciclovias, representa para os pedestres, para os ciclistas, para os motociclistas e para os automóveis que ali circulam. Agora, acrescido com o tráfego diário de 60 a 80 desses caminhões, a probabilidade de acidentes fatais é enorme e se anuncia aos nossos olhos. Os caminhões circulam nessa estrada como se estivessem numa autopista.

Ao longo dos 20 quilômetros da estrada de Aldeia funcionam nada menos que 12 escolas, entre públicas e privadas. A circulação de crianças e jovens nesse trajeto é enorme.

A permissibilidade da circulação dessas máquinas, numa estrada sem qualquer estrutura de segurança para seus diversos usuários, escancara uma irresponsabilidade generalizada das três esferas de governo, federal, estadual e municipal. E, mais ainda, escancara a irresponsabilidade de todos nós moradores de Aldeia em aceitarmos resignadamente conviver com essa agressão e o perigo que ela representa para nós e nossos filhos.
Acordemos!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Usinas Térmicas na APA

Você sabia que a poluição causada pela emissão de gases das usinas térmicas já é maior do que a poluição causada pelo desmatamento? 

Você sabia que, até o fim do ano de 2013 foram emitidas 15,3 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera por essas usinas?

Você sabia que as usinas térmicas são consideradas a fonte mais suja de energia?

E então, o que você acha de termos este tipo de usina implantada aqui, em plena APA Aldeia-Beberibe, junto aos aquíferos que abastecem não somente Aldeia, mas o Recife?

Breve, muito breve, nosso ar será irrespirável, provocando todo tipo de doença. E nossa água não poderá mais ser consumida. Os gases tóxicos poderão trazer também chuva ácida para o Estado de Pernambuco.

Lembre-se: as soluções não caem do céu. A única maneira de mudarmos uma realidade que incomoda é nos unirmos. Conscientização, em primeiro lugar. Leia, informe-se, tome pé da realidade. Ajude outras pessoas a se conscientizarem. Saia do seu conforto. Mobilize-se. Pequenos grupos, unidos, transformam-se em grandes grupos e conseguem milagres.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O Presídio na Mídia




Embora as chuvas tenham atrapalhado bastante, a movimentação popular contra a edificação do presídio de Araçoiaba transcorreu conforme o planejado, com ordem e tranquilidade. 

O complexo, anunciado pelo Governo do Estado em 2011, terá sete blocos e capacidade para 2.754 detentos, entre homens e mulheres. O investimento será de R$ 125 milhões. A expectativa é de que as obras comecem ainda este ano, com previsão para dezembro de 2015.

A mensagem "Não queremos presídio em Aldeia" foi divulgada uma vez mais, com ampla distribuição de panfletos alertando sobre os males advindos da construção de um presídio de alta lotação em Aldeia. Sem estudo do impacto ambiental, sem ouvir a população, ignorando a ação judicial impetrada pelo Fórum Socioambiental de Aldeia, ignorando o nosso abaixo-assinado com mais de 10 mil assinaturas.

A Rede Globo e todos os jornais do Recife registraram o movimento. Acesse os links:










(Colaboração de Ludmila Portela)

sábado, 6 de setembro de 2014

DIGA NÃO AO PRESÍDIO

As consequências da construção do Presídio para a população de Aldeia, a exemplo do que já aconteceu em Itamaracá, seriam desastrosas:

– crescimento populacional descontrolado (invasões são frequentes);
– aumento da criminalidade;
– tráfico de drogas;
– aliciamento de crianças para tráfico e prostituição;
– estradas servindo de rota de fuga para traficantes/assaltantes;
– devastação ambiental.

A área destinada para a edificação de um presídio de alta lotação em Aldeia fica a cerca de 2km apenas de Araçoiaba. Lembramos que Araçoiaba é uma das cidades mais carentes de Pernambuco. Sua população fatalmente se tornará um alvo fácil para o aliciamento do tráfico de drogas e a prostituição infantil, duas práticas comuns no entorno dos presídios brasileiros.

Outro ponto crucial é a proximidade da Área de Proteção Ambiental – APA Aldeia Beberibe. Historicamente, os arredores dos presídios se transformam em aglomerados desordenados de habitantes (parentes dos presidiários, misturados aos delinquentes, traficantes e todo o tipo de marginais), onde são comuns as invasões. Comunidades que crescem desordenadamente não costumam respeitar o meio ambiente.

É isto o que se espera para uma região de preservação ambiental?

ACORDEMOS! JUNTOS, VAMOS DIZER UM SONORO ‘NÃO’ AO PRESÍDIO!
GRANDE CONCENTRAÇÃO EM ALDEIA - kms 3 e 10 - A PARTIR DAS 8 DA MANHÃ!
DIA 7 DE SETEMBRO DE 2014!
COMPAREÇA! MOSTRE SUA INDIGNAÇÃO!

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

7 de setembro


GRANDE MOBILIZAÇÃO!
CONCENTRAÇÃO - km 3 e km 10
HORÁRIO - a partir das 8 da manhã
PARTICIPE!

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

MOBILIZAÇÃO - 7 DE SETEMBRO

ATENÇÃO! GRANDE MOBILIZAÇÃO NO DIA 7 DE SETEMBRO!

Não dá mais para ficar de braços cruzados! Vamos fazer o maior movimento já visto em Aldeia!


A instalação de um presídio em Araçoiaba poderá trazer para nossa região elevação do índice de criminalidade, tráfico de drogas e destruição ambiental.

O governo não se manifesta em relação à ação civil, acionada há mais de três anos com abaixo-assinado de 10 mil aldeenses contrários a esse projeto, e continua insistindo na construção do presídio em Araçoiaba.

Entendemos que presídios são necessários; porém, localizados em regiões com baixa densidade populacional, para que os efeitos provocados pelo nosso falido sistema prisional tenham menor impacto nas comunidades do seu entorno.

É chegada a hora de darmos o Grito de Aldeia!

No dia 7 de setembro, venha participar de nosso protesto contra a instalação do presídio. A partir das 9 da manhã, na PE-27, haverá Caminhada, Passeio Ciclístico e Cavalgada. Teremos disciplinamento e ordenamento do trânsito.


Contamos com sua participação!

ALDEIA PRECISA DE PRESERVAÇÃO E NÃO DE PRESÍDIO!

terça-feira, 10 de junho de 2014

O Arco Metropolitano

No dia 05 de junho último, Dia do Meio Ambiente, o Fórum recebeu e compartilhou o cordel "O Arco Metropolitano", de autoria de Bartolomeu Leal de Sá. Sua poesia sintetiza nossa luta pela proteção da Mata Atlântica, nossos rios, nossa fauna e nossa flora. Transcrevemos aqui os versos:


O ARCO METROPOLITANO

Leitor deste meu cordel
Peço toda a sua atenção,
Pois o tema que abordo
Requer muita reflexão.
E devido a sua importância
Exige concentração.

O caso é que querem alterar
De maneira irreversível
Um pedacinho da Terra,
E o efeito será horrível.
Voltar ao que era antes
Sabemos que é impossível.

É o que resta no Brasil
Da Mata Atlântica original,
Onde as copas se entrelaçam,
Um Patrimônio natural,
Contínuo e sem vazios.
Um santuário ambiental!

É o coração de ALDEIA.
E Aldeia é o conjunto união,
De partes de oito municípios,
Cada um com um filão
De floresta e microclima,
Ameno, de inverno a verão!

Paulista, Camaragibe,
Araçoiaba integral.
Igarassu, São Lourenço,
E Paudalho parcial,
Abreu e Lima e também
Recife que é Capital.

Sabendo o valor da relíquia
Para a Aldeia e a região,
E que, sendo uma área frágil,
Precisava de proteção,
As pessoas conscientes
Entraram logo em ação:

Criaram o parlamento:
Fórum Socioambiental
Para defender Aldeia
Com instrumento legal,
Pensando globalmente,
E agindo no local!

Os integrantes do Fórum
Delinearam o mapa
Usando a legislação
Fizeram de Aldeia uma APA
Uma área de proteção
Que tem da lei uma CAPA

A CAPA é a Lei que garante
Proteção Ambiental,
Por ser aquele lugar
Uma zona especial.
Um ecossistema aberto
Para a vida essencial.

Neste cordel vou mostrar
O motivo da intervenção.
E também enfatizar
Que haverá devastação.
Não só no primeiro impacto
Mas com a continuação.

É necessário uma estrada
De Suape até Goiana,
Cidade que há muito tempo
Vivia de plantar cana.
Agora vai fazer carro
De uma fábrica italiana.

E para ligar Suape
Com a Zona da Mata Norte
O Departamento Nacional
De Infraestrutura e Transporte
Fez convite a um consórcio
De empresas de grande porte.

Eu sei que é preciso
Fazer essa ligação,
Para o abastecimento,
E para a exportação,
Transportar mercadorias,
E também a população.

Mas se a estrada passar
Pelo local escolhido,
O último reduto da mata
Será em dois repartido,
E o coração de Aldeia
Mortalmente atingido

A área tem proteção
Da Lei dos Mananciais
Tem o rio Utinga, o Bonança,
E com as águas pluviais,
Alimentam o rio Monjope
Vai tudo pros manguezais.

Riachos Paca e Besouro,
O Rio Camaragibe
Que desce e é afluente
Do Rio Capibaribe.
Na APA tem a nascente
Do aquífero, e do Beberibe.

E é por esse motivo
Que a APA foi chamada
APA Aldeia BEBERIBE,
Pois com água é batizada
Respeitando as tradições
Das coisas que são sagradas.

O mote que baliza
Em qualquer planejamento
É a bacia hidrográfica
Que faz o escoamento
D’água das fontes, da chuva,
E evita assoreamento

Deveria fazer parte
Da equipe do projeto
O Comitê da Bacia
Pra discutir em aberto
Pois é interesse de todos
E não pode ser secreto.

Nos últimos 15 anos
Pernambuco prosperou,
Mas como é nossa cultura,
O Estado não prospectou
E o grande empreendimento
Em nosso estado aportou.

O trânsito nas estradas
É ruim, e vai piorar,
A mobilidade urbana,
Agora vai colapsar.
Uma solução urgente,
É necessário encontrar.

Mas não se vê, nas cidades
Espaço, que é o que está faltando.
E no pátio das montadoras,
Tem muito carro sobrando.
Quero ver como vai ser
Pra ter mais carros rodando.

Para ter uma solução
De forma definitiva,
Em vez de fábrica de carro,
A melhor alternativa,
É fabricar no estado
Vagões e locomotivas.

Botar o Brasil nos trilhos
É nossa grande esperança.
Fazer sempre rodovias
É dançar a mesma dança,
Repetindo os mesmos erros,
Nunca teremos mudança.

Modernas estradas de ferro
Com trens de velocidade
Uns pra gente, outros pra cargas
Passando pela cidade
E paralelos à BR
Onde houver possibilidade.

Assim opções existem
Para fazer uma via.
Em vez de estrada pra carro,
Por que não a FERROVIA
Para não continuar
No Brasil com rodovias?

No Canal de Santa Cruz
Há um porto natural
Transportar cargas pesadas
Pelo mar é o ideal.
Por que não explotar
Todo aquele potencial?

Levar tudo prá SUAPE
Concentra a Economia
E a curva do progresso
Desenha uma assimetria
Melhor é distribuir
Que evita essa anomalia

O DNIT e o consórcio
Têm muitos bons engenheiros
Já venceram desafios
Em que foram pioneiros.
Só não venham me dizer
Que pra isso não tem dinheiro.

Alegam que o traçado
É questão de economia.
A sustentabilidade
Do progresso, todavia,
Tem fundamento no trabalho,
E, como base a ECOLOGIA.

A Floresta na verdade,
É uma indústria primal.
E seu produto acabado
É o recurso natural,
Que é o insumo primário
Da indústria artificial.

Desrespeito à Natureza
É irresponsabilidade
Nosso planeta precisa
De sustentabilidade
Pras futuras gerações
Viverem com qualidade.

Portanto se nessa área
Construírem uma VIA,
Aos poucos vão desmatar
Também na periferia
Condomínios vão instalar
Pra oferecer moradia.

É a externalidade
Que em vez do bem, traz o mal,
Aumenta o efeito estufa,
E o aquecimento global.
Preservando evitaremos,
Um desastre ambiental!

É o que ocorrerá
Se esta mata for cortada
Em 40 ou 50 anos
Ela estará acabada.
E a temperatura da Terra
Estará mais elevada.

Na borda daquela mata
É onde se deve instalar
O quartel da CIPOMA,
A sede da CPRH,
E os animais apreendidos
Devem ser soltos lá!

“Preservar tem alto custo
E quem paga é a sociedade”
Sem pensar o que dizia,
Falou uma autoridade.
Mas desmatar sai mais caro,
E quem paga é a humanidade.

Para o consórcio e o DNIT
APA não tem significado
É apenas uma mata,
Um espaço a ser ocupado.
Para os que sabem seu valor
APA é um lugar sagrado.

Esse projeto é uma CUNHA
Pra quebrar a unidade.
Partindo a mata ao meio,
Ficam só duas metades.
Nosso argumento enfraquece,
É aí que está a verdade!

Os soldados na ditadura
Pra fazer a dispersão,
Também usavam a CUNHA
Que era a melhor formação.
Dividindo a massa ao meio
Dissolvia a multidão.

E o nome deste projeto
Por isso foi escolhido.
Pois o destino da mata
No título está definido:
ARCO tem forma de FOICE
Está bem claro o sentido.

Uma mata preservada
Pode render lucro sem ônus,
Se isso for negociado
No mercado do Carbono.
Que é um mercado criado
Nas conferências da ONU.

Leitor o que peço agora
É sua adesão verdadeira,
Apelando pro governo
Não cometer essa asneira
Para ligar Suape a Goiana,
Descubra outra maneira.

O Artigo 225
Diz na Constituição
Que compete ao Poder Público
E também ao cidadão
Defender o Meio Ambiente
Contra a devastação

Vamos apoiar o Fórum
Nessa luta desigual.
De um lado está a Natureza
Do outro lado está o CAPITAL
Usando o falso argumento
Do interesse social.

Estamos mobilizados
Cumprindo nosso dever
Continuamos na luta
Nem sei se vamos vencer
No entanto, se não lutarmos,
É a certeza perder!

Este cordel é profético,
Mas não vamos alcançar
Para ver as consequências
Se a estrada a mata cortar.
Só as gerações futuras
Poderão testemunhar.

Nossos bisnetos, no entanto,
Quando já forem avós,
Olhando o PANTEON DA GLÓRIA,
Vendo os nomes de heróis,
Dirão dos membros do FÓRUM:
ELES LUTARAM POR NÓS!

(Bartolomeu Leal de Sá)