quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Carta Aberta aos Candidatos ao Governo de PE

O Fórum Socioambiental de Aldeia enviou a todos os candidatos ao governo de Pernambuco a seguinte carta:

Carta aberta aos candidatos a governador de Pernambuco

O Fórum Socioambiental de Aldeia, entidade independente, apartidária e comprometida com a defesa da Área de Proteção Ambiental (APA) Aldeia-Beberibe, vem solicitar dos candidatos ao Governo do Estado de Pernambuco nas eleições do próximo mês de outubro a tomada de uma posição clara e firme no que diz respeito ao conjunto de obras já planejadas pelo governo para esse território, a exemplo da instalação  de um conglomerado de usinas termelétricas no coração da APA; da abertura do Arco Metropolitano, rodovia que ameaça decepar a reserva ambiental de Aldeia; e da construção de um complexo prisional próximo aos mananciais no entorno de Araçoiaba – todas elas propostas em desrespeito aos princípios mais elementares da proteção ambiental e do desenvolvimento sustentável.

Ademais – e ao tempo em que reforça projeto apresentado pela comunidade de transformação da PE-27 em uma estrada-parque, valorizando assim os atributos paisagísticos da região e a qualidade de vida e segurança dos que a habitam –, encarece àqueles que postulam o cargo de chefe do Executivo estadual que descrevam que compromissos assumirão no que concerne aos propósitos declarados pelo ex-governador Eduardo Campos quando da criação da APA Aldeia-Beberibe, instituída através do Decreto Estadual nº 34.692, de 17 de março de 2010, em especial quanto a ações que promovam a restauração florestal, como a recuperação das matas ciliares, do entorno de nascentes e reservatórios e das áreas degradadas; e também quanto a ações  de proteção dos mananciais hídricos superficiais e subterrâneos, assegurando as condições de permeabilidade e manutenção de suas áreas de recarga e de nascentes.

A APA Aldeia-Beberibe está encravada em terras de oito municípios da Região Metropolitana do Recife, a saber: Camaragibe, São Lourenço da Mata, Paudalho, Araçoiaba, Abrteu e Lima, Paulista e Igarassu,  além da Capital, totalizando uma área de 31.634 hectares. Em 2002 a região foi classificada pelo Atlas da Biodiversidade de Pernambuco, elaborado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectma), como de importância biológica extrema para a conservação da biodiversidade, o que ratifica a necessidade de proteção, pelo Estado, desse significativo patrimônio biológico. De acordo com o decreto de sua criação, a proteção efetiva da reserva de água subterrânea conhecida como Formação Beberibe é essencial ao abastecimento de água da Região Metropolitana, vulnerável que está à poluição e à contaminação provocadas pela ocupação incontrolada do solo.

É importante recordar ainda que a área da APA abriga o maior bloco contínuo de remanescentes de Mata Atlântica localizado ao norte do Rio São Francisco, com pouco mais de 10 mil hectares, além de vários fragmentos com potencial para conectividade e refúgio para espécies raras ameaçadas de extinção. Tais remanescentes protegem nascentes de importantes rios, como o Botafogo, o Utinga, o Bonança, o Tabatinga e o Catucá, cursos d’água perenes que formam o Grupo de Bacias Litorâneas 1 (GL 1) do Estado de Pernambuco e contribuem para a complementação do sistema de abastecimento público da Região Metropolitana do Recife.

Para que a APA não se torne apenas letra morta, é urgente a  convergência de ações coordenadas voltadas à proteção do seu patrimônio biológico, paisagístico e cultural, bem como à promoção do desenvolvimento sustentável da região. No entanto, ao longo do tempo, toda a região de Aldeia vem se constituindo em alvo de empreendimentos que ferem frontalmente os princípios de uma Área de Proteção Ambiental – também reconhecida, desde 1986, como Área de Proteção de Mananciais. Contra tais ações nossa sociedade vem se mobilizando cada vez mais.

Por isso é importante, para os habitantes da região, saber dos candidatos ao Governo o que realmente se dispõem a realizar a fim de proteger esse valioso patrimônio ambiental, que propostas concretas têm a apresentar para cada um dos pontos levantados neste documento e de que forma pretendem contribuir para a manutenção da qualidade de vida que Aldeia oferece a todos os seus moradores.

Aldeia, 25 de setembro de 2014.

Caminhões - a Luta Continua

Foto: Folha de Pernambuco
Apesar das determinações da Agência do Meio Ambiente - CPRH, no sentido de proibir o trânsito dos caminhões de óleo diesel com destino às usinas termelétricas pela Estrada de Aldeia, uma das transportadoras insiste em descumprir o que foi determinado, tendo sido registrada a infração por vários moradores.

Isto provocou mais uma reportagem no jornal Folha de Pernambuco de ontem, com o título: "Caminhões insistem em circular pela Estrada de Aldeia"
O link, para quem quiser ler a matéria, é:



O descumprimento das leis tem se tornado rotina por estas bandas de cá. Não é por falta de legislação que as coisas andam mal. É somente por falta de cumprimento da legislação. 
Nossa equipe jurídica nos enviou a lei que trata do transporte rodoviário de produtos perigosos e ela é bem clara. Publicamos a seguir alguns trechos da referida lei, para conhecimento de todos:

DECRETO Nº 25.016, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2002.
Autoriza a implantação do Plano de Emergência para Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos – PREVINE, no âmbito da Região Metropolitana do Recife, e dá outras providências.

O GOVERNADOR DO ESTADO, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo inciso IV, do artigo 37 da Constituição Estadual, e CONSIDERANDO o aumento do trânsito rodoviário de cargas perigosas no âmbito da Região Metropolitana do Recife;

(................)

DECRETA:

Art. 1º - Fica autorizada a implantação do Plano de Emergência para Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos – PREVINE, no âmbito da Região Metropolitana do Recife, que tem por finalidade prevenir perdas de vidas ou danos à saúde e ao bem-estar social da população, como também garantir a segurança ambiental, quando da ocorrência de acidentes advindos do transporte rodoviário de produtos perigosos.

(...............)

Art. 3º - O Plano de Emergência para Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos – PREVINE, terá aplicação, inicialmente, para toda área geográfica da Região Metropolitana do Recife, dividido em regionais, cujos limites são os seguintes:

(...)

III - Regional Oeste – PE 027, até o cruzamento com a PE 018/entrada de Chã de Cruz, PE 408, até o limite com o Município de Paudalho/Ponte do Rio Goitá, BR 232, até o Município de Vitória de Santo Antão, e PE 045, do município de Escada ao Município de Vitória de Santo Antão.

Art. 4º - Integram o Plano de Emergência para Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos – PREVINE, os seguintes Órgãos:

I - Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco - CBMPE;
II - Polícia Militar de Pernambuco - PMPE;
III - Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco - CODECIPE;
IV - Companhia Pernambucana do Meio Ambiente – CPRH.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Estrada de Aldeia Livre dos Caminhões de Óleo

Folha de Pernambuco de hoje:


ALDEIA – CAMINHÕES NÃO TRAFEGAM MAIS

As termoelétricas instaladas em Aldeia começaram a cumprir o que determinou a Agência de Meio Ambiente (CPRH), mudaram o roteiro do tráfego os caminhões tanques que abastecem as indústrias de energia, uma das cinco exigências feitas pelo órgão estadual para tentar solucionar uma das queixas dos moradores do entorno do empreendimento.

A Folha flagrou, ontem, veículos transitando pela PE 41, em Igarassu, vindos pela BR101 Norte. Antes o percurso era feito pela área urbana de Aldeia, pela PE 27, trazendo risco para quem dividia o mesmo espaço com os veículos cheios de óleo combustível, produto inflamável.

As demais exigências da CPHR serão cumpridas por etapas, a próxima se dará na sexta-feira, quando as empresas têm que apresentar um plano de ações minimizadoras do barulho provocado pelas unidades; contratação de uma empresa para realizar estudos de impacto sonoro nos aglomerados próximos às usinas; e definição de ações sociais junto a essas populações. Elas também terão que ouvir as queixas dos moradores prejudicados; e por fim apresentar amostras de emissões de poluentes e a quem eles estão atingindo, caso existam.

O desvio dos caminhões pela PE 27, conhecida como Estrada de Aldeia, já foi percebido pelo Fórum Socioambiental, que luta pelo restabelecimento da tranquilidade na área. O engenheiro Herbert Tejo, integrante do Fórum, confirmou que desde segunda, eles não estão passando no local.

A batalha, agora, é esperar pelas ações para reduzir a poluição sonora no entorno das usinas. Segundo depoimento de moradores o som produzidos pelas termoelétricas chega no raio de 12 quilômetros. Uma das moradoras da comunidade Engenho Novo, em Abreu e Lima, na RMR, Mauricéia da Silva, 43 anos, os móveis de sua casa, distante quase quatro quilômetros, mudam de lugar, quando as termos estão em pleno funcionamento, como no final de semana passado.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Mobilização Produz Frutos


Como resultado da mobilização feita pelo Fórum, através de seus colaboradores, a problemática das usinas termelétricas está sendo exposta na imprensa e já podemos ver os primeiros sinais positivos das nossas ações. Acompanhe a publicação de hoje do jornal Folha de Pernambuco:

CPRH proíbe caminhões e quer reduzir impacto das termoelétricas em Aldeia - Empresas devem se adequar

APÓS denúncias de barulho, poluição e trânsito perigoso, Agência faz cinco exigências aos empreendedores


A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) está exigindo dos responsáveis pelas três termoelétricas que operam em Aldeia, que cumpram cinco itens para tentar restabelecer a paz das pessoas que moram no entorno. Após relatório técnico, realizado após visita ao local na sexta-feira, a CPRH convocou as empresas, na tarde de ontem, para que elas diminuam os impactos do empreendimento. 

A principal medida foi suspender, de imediato, o tráfego de caminhões tanques pela estrada de Aldeia (PE 27) e pela PE-35. A segunda exigência é que apresentem, até o próxima sexta-feira, dia 26, um plano com ações que minimizem o barulho provocado pelas usinas. Este plano terá que ser apresentado com organograma de ação. 

O terceiro ponto versa sobre a contratação de uma empresa para realizar estudos de impacto sonoro nos principais aglomerados próximos às usinas. Foi acordado, também, que os empresários definam ações sociais junto a essas populações. Ou seja, que eles ouçam as queixas dos moradores que estão sendo prejudicados com o funcionamento das termoelétricas. 

E por último, os empresários deverão apresentar amostras de emissões de poluentes, caso eles existam; e quem está sendo atingido pelas descargas. “Vamos aguardar os estudos e cronogramas, que serão avaliados pela CPRH. Ser for necessário faremos ajustes para atender os anseios da população”, antecipou o presidente da Agência, Paulo Teixeira. 

O diretor-presidente da Ebrasil, Dinon Cantareli, confirmou a mudança do trajeto dos caminhões que abastecem as duas termoelétricas pertencentes ao grupo, instaladas em Aldeia. Segundo ele, desde ontem os veículos que saem do Porto de Suape carregados de óleo combustível estão seguindo pela BR 101 Norte até Igarassu, acessando a PE 41 para chegar no seu destino. “Aumentamos 19 quilômetros o nosso percurso para evitar mais transtornos aos moradores de Aldeia”, explicou Cantareli, que lamenta que o projeto do Arco Metropolitano, “uma obra tão importante para o Estado “esteja suspenso, o que facilitaria o transporte de combustível para suas empresas. 

Ele ainda informou que vai começar a implantar o silencioso crítico, equipamento para solucionar o problema da poluição sonora, a partir da próxima semana. Ele reconhece alguns problemas apontados pela comunidade e demostrou disposição para solucioná-los. “Nossas termoelétricas são dotadas de tecnologia avançada, mas se ainda existem alguns problemas vamos resolver. Queremos preservar o bem estar social de todos”, concluiu. 

O engenheiro Herbert Tejo, do Fórum Socioambiental de Aldeia, que briga contra as indústrias de energia, deseja que os acordos sejam cumpridos. Segundo ele, a instalação dos aparelhos para coibir a poluição sonora anunciada pela Ebrasil havia sido apresentada em janeiro do ano passado, mas até o momento não foi empregado. “O jeito é aguardar, apesar de não acreditar em soluções técnicas”, critica. Mauricéia Paula da Silva, moradora de Engenho Novo, Abreu e Lima, distante apenas 3,5 quilômetros das termoelétricas, confirmou que pelo menos ontem não viu caminhões circulando na área, e aguarda com ansiedade a solução para o barulho. “Neste final de semana elas estavam trabalhando a todo vapor”, contou ela.

Fonte:
http://www.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/edicaodigital/arq/2014/09/0024.html

domingo, 21 de setembro de 2014

Dia da Árvore


Esta imagem sobreviverá? Depende da nossa atitude HOJE. Lutemos por Aldeia, lutemos pelo meio ambiente! Que outra melhor forma encontraríamos de comemorar o Dia da Árvore?
Há muito para fazer! Muitas frentes de luta! Lutemos juntos e sairemos vitoriosos!

"Até a maior de todas as árvores nasce de uma pequena semente." (Desconheço o autor).
Que possamos, todos nós, lançar nossas pequenas sementes.
Sementes de consciência.
Sementes de preservação.
Sementes de educação.
Sementes de amor pela natureza.
Sementes de coragem para lutar.
Que sejam lançadas e que brotem, transformando-se num lindo bosque - o Bosque das Atitudes -, a servir de exemplo para as gerações que virão.

Belas imagens de Aldeia - clique e assista: