quinta-feira, 28 de março de 2013

O Rio das Pacas

O desaparecimento de um rio é sempre um desastre ambiental. A natureza se empobrece, o solo resseca, as plantas somem. Infelizmente, o resultado de desmatamentos e falta de zelo com o meio ambiente termina acarretando desastres como este. O homem parece não entender sua ligação vital com as matas. Sem árvores, não há água.

O Fórum quer iniciar uma campanha de reflorestamento das margens do Rio das Pacas, para que ele ressurja, belo como antigamente. 

Veja, no link abaixo, o vídeo que nosso membro Marcos Sampaio enviou sobre o assunto:

http://www.youtube.com/watch?v=cGDQ9qJ8teI&list=UU9o8niyR5H-09C6PlCmbhPw&index=1

quarta-feira, 27 de março de 2013

Andamento do Plano de Manejo da APA

Na reunião de ontem (26/03/2013), foi lida a carta que o Diretor de Recursos Florestais e Biodiversidade da CPRH, Carlos André Cavalcanti, enviou para o Fórum, através do presidente Manoel Ferreira. Atendendo à nossa solicitação quanto à cópia do Plano de Manejo da APA Aldeia-Beberibe, escreveu o Diretor da CPRH:

"Informamos que os trabalhos de confecção do referido Plano já foram finalizados, no entanto, por dificuldades do Setor de Geoprocessamento desta CPRH, houve um atraso na solicitação das correções no que diz respeito aos mapas constantes do Plano de Manejo. Essas dificuldades, felizmente, já foram superadas e a empresa contratada recebeu recentemente tais solicitações e em breve devemos estar recebendo as versões finalizadas dos mapas. Após termos todo o material finalizado, será encaminhada uma portaria da CPRH reconhecendo o Plano de Manejo da APA de Aldeia Beberibe, quando será dada a devida publicidade ao Plano, inclusive com sua disponibilização no site da Agência Estadual de Meio Ambiente. A previsão é que até o final do próximo mês de abril tenhamos esse material oficialmente disponível para a gestão da APA de Aldeia Beberibe".

É uma boa notícia e agradecemos a atenção e as providências de Carlos André. 

terça-feira, 26 de março de 2013

O Escândalo Insustentável do Lixo em Aldeia


(Por Fernando Wucherpfennig, 
Consultor Ambiental e membro do Fórum)

Parece incrível, mas é fato. O lixo está presente em quase todos os lugares aqui na Aldeia onde moramos (nossa casa). Próximo a condomínios de luxo, granjas, casas, comércio, restaurantes, dentro e fora das escolas, rios... A metralha segue o mesmo caminho Um assombro, em pleno século XXI. Ninguém nota, ninguém se incomoda. Parece que faz parte da nossa paisagem.

A Prefeitura já não dá mais conta de arrastar tudo para o escandaloso lixão. Os restos ficam espalhados pelo nosso território, enfeiando, fedendo, queimando e contaminando o ambiente (a fumaça que sai é pretíssima, altamente tóxica).

O que fazer se ninguém liga, ninguém se incomoda? Acho que somente uma campanha muito forte poderia equacionar todo esse escândalo. Afinal, moramos numa área de proteção ambiental, onde se localiza um grande manancial da Região Metropolitana do Recife! Nossa mata representa o maior fragmento de Mata Atlântica ao norte do Rio São Francisco, o que não é pouco, levando-se em conta o que resta dessa mata no Brasil!

O primeiro passo é o mais básico: ensinar a separar o lixo em todas as escolas. Isto é perfeitamente possível, se colocarmos o tema da educação no centro das nossas discussões sobre o futuro de Aldeia. É só um pouco mais de boa vontade dos governantes.

O Fórum Socioambiental de Aldeia tem levado às escolas da região uma proposta inovadora de educação ambiental, iniciando-se a alfabetização ecológica no lugar certo. Não sabemos a razão pela qual nenhuma escola (pública ou privada) se interessou até hoje em levar a proposta adiante, assim como também não houve até agora apoio da Prefeitura de Camaragibe.

A proposta do Fórum está completamente inserida na contemporaneidade: transparência, participação, empoderamento das escolas pela comunidade e protagonismo dos alunos. Incorpora também experiências exitosas em todo o mundo. Além disto, o Fórum realizou seminários sobre educação ambiental, trazendo especialistas de outros Estados, como foi o caso do prof. Marcos Sorrentino, da USP, um dos maiores especialistas em educação ambiental, para debater o assunto com toda a nossa comunidade. No entanto, ainda não pudemos ver uma repercussão concreta desses seminários.

Houve também inúmeras tentativas de envolver a novíssima Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) num projeto que englobasse todas as escolas da APA Aldeia-Beberibe, focando a educação ambiental, o que representa, no mínimo, uma contradição, já que a implantação da APA é questão de honra, prioritária e emblemática para a política ambiental do Governo do Estado, e só será sustentável com a participação consciente dos seus moradores.

O mesmo foi feito com a CPRH, hoje denominada Agência Ambiental de Pernambuco, que ostenta um setor voltado para a educação ambiental, com muita tradição e dedicação, desde a sua fundação. Alegando falta de estrutura do órgão, não obtivemos ainda o apoio perseguido, apenas simpatias.

O que deveremos fazer, então?

Acho que os condomínios de Aldeia poderiam fazer a sua parte, que seria o grande referencial, a lição básica de casa, separando o lixo e reciclando, através da compostagem do lixo de jardim. Lembrando que os condomínios possuem boa estrutura de gestão, pessoas de bom nível e bons jardineiros, como também têm, em geral, uma boa receita. Os condôminos poderiam exigir uma melhora no tratamento do lixo.

A Prefeitura poderia orientar esses procedimentos e dar um prazo para implantação do serviço de reciclagem, deixando de recolher o lixo dos jardins, como faz hoje, o que é um absurdo, pois estão jogando fora e desperdiçando o húmus da terra! E pagando caro por isso. Granjas, sítios, casas, fazendas, empresas e escolas seguiriam o mesmo caminho.

A Prefeitura ficaria mais aliviada sem esse serviço de recolher o lixo dos jardins, e as pessoas seriam informadas sobre como é simples sua reciclagem. Simples e importantíssimo para a vida, para o meio ambienta, para a biodiversidade. Livre dessa tarefa, nossa Prefeitura poderia dar mais atenção às áreas mais pobres, atualmente atoladas no lixo.

Nesse contexto, fica viável a implantação de uma central de compostagem em Aldeia. O viveiro florestal da Prefeitura de Camaragibe (atualmente abandonado) poderia ser reativado, com distribuição de mudas de todas as espécies e também húmus. Aí, sim, seria o início do reflorestamento de Aldeia.

Coloquemos um ponto final no fogo dos lixões espalhados por toda Aldeia! Acordemos, façamos nossa lição de casa, mãos na massa! Envolvamo-nos nesta batalha, ajudando a combater as duas maiores ignorâncias brasileiras: a ignorância ambiental e a ignorância política!

A hora é agora!

segunda-feira, 25 de março de 2013

APA LIVRE DE ARCO VIÁRIO!

Amigos, comemoremos. Fomos surpreendidos, hoje, com a auspiciosa notícia publicada no Jornal do Commercio, caderno C, pág. 3, coluna "Dia a Dia": 


“Eduardo Campos determinou ao seu Secretário de Governo, Milton Coelho, que faça adequações no projeto do Arco Viário Metropolitano, para que o traçado passe por fora da Área de Preservação Ambiental de Aldeia. Pelo projeto atual, seria necessário o desmatamento de 30 hectares de Mata Atlântica.”

Quando lemos alertas como o da IUCN (v. postagem abaixo, de 24/03/13), mostrando a alarmante devastação ambiental no Brasil e no mundo; quando sabemos da fragilidade dos ecossistemas; quando compreendemos a importância de mudar imediatamente a nossa política de desenvolvimento social e urbano, rechaçando obras e projetos não sustentáveis, sentimos uma alegria imensa com cada conquista como esta.


O Fórum, juntamente com a APA Aldeia-Beberibe, a Associação dos Condôminos de Aldeia (APA), o Rotary Club de Aldeia, a Associação de Chã de Peroba, o Movimento das Mulheres de Aldeia, o Instituto São Jorge e outras associações que nos apoiam, agradece essa atitude sensível e consciente do Governador com relação ao nosso meio ambiente. Esperamos que outras atitudes como esta possam se repetir, para que nossa APA seja preservada, tornando-se um exemplo digno de ser seguido no Brasil e no mundo.

Nós, aldeenses, precisamos continuar nos mobilizando em prol da conservação do nosso patrimônio ecológico.

domingo, 24 de março de 2013

Alerta da IUCN

O agravamento da situação ambiental no mundo vem sendo denunciado pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN ou International Union for Conservation of Nature, em inglês). Há um descompasso entre a lentidão das ações para equilibrar o meio ambiente e a velocidade da deterioração dos ecossistemas, alerta a organização.

Atuando no Brasil desde 2010, a IUCN é uma entidade internacional que se dedica à conservação dos recursos naturais no planeta. Foi fundada em 1948 e tem sede na Suíça. É considerada uma das principais organizações ambientais do mundo, com 1.200 entidades associadas e cerca de 11 mil voluntários em 160 países, com o objetivo de influenciar, encorajar e assistir as sociedades no que se refere à integridade e biodiversidade da natureza.  

Luiz Merico, coordenador da IUCN no Brasil, revelou, em entrevista concedida esta semana ao "Futurando", a preocupação dos cientistas da entidade quanto à piora crescente da qualidade da água, além da erosão das encostas e do solo (fenômeno intenso no Brasil). Disse ele: 

"O que se vem observando em escala global é uma piora das condições ambientais, e o Brasil está incluído. Temos uma piora da qualidade da água. As questões relativas à água estão se agravando: tanto aquelas relacionadas às águas superficiais como subterrâneas.
Continuamos perdendo espécies, ou seja, há uma erosão da biodiversidade muito forte em escala global e também no Brasil.
A desertificação de áreas vem aumentando, as questões climáticas estão se agravando, sem que se consiga fazer um bom processo de mitigação e de adaptação a essas mudanças climáticas.
A ocupação da costa vem se intensificando. e, por conta das alterações climáticas globais, os oceanos estão mudando muito as suas características. No caso do Brasil, há a erosão das encostas e do solo. Há uma perda contínua do solo produtivo. São elementos que podem ser observados em escala global, mas também aqui de modo muito intenso".

E em Pernambuco...

A foto ao lado mostra uma parte das reservas de Aldeia. Estará fadada a figurar, no futuro, nas galerias e livros didáticos, mostrando às gerações vindouras como foi um dia exuberante nossa região? Esperamos ardentemente que não! 

O caminho da humanidade é buscar alternativas sustentáveis, de forma sistemática e urgente, para ver se conseguimos reverter esse quadro apocalíptico preocupante. Enquanto os governos continuarem incentivando obras devastadoras do meio ambiente, enquanto não houver um engajamento total entre  governo e população, através de campanhas educativas e ações enérgicas em favor da natureza, não avançaremos rumo a uma solução que nos poupe dessa marcha suicida.

Como diz Herbert Tejo na postagem abaixo, não temos motivo, em Pernambuco, para comemorar datas como o  Dia da Floresta (21 de março) ou o Dia da Água (22 de março). Nossa preocupação em preservar a APA tem batido de frente com projetos governamentais cada vez mais agressivos ao equilíbrio natural da região. Mas sonhamos com dias melhores e mais conscientização por parte das pessoas e do poder público.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Dia da Água - A Realidade de Pernambuco


APA sob constante ameaça
Recebemos a oportuna mensagem do engenheiro Herbert Tejo, morador de Aldeia, membro do Fórum e do Conselho Gestor da APA Aldeia-Beberibe. Herbert é autor do documento que contesta a autorização da CPRH quanto ao projeto do Arco Viário Metropolitano (v. pág. "Arco Viário"). Escreve ele:

"Hoje comemoramos o dia da ÁGUA; ontem foi o da FLORESTA. O que temos para comemorar em Pernambuco? Ironicamente nos foi anunciado, através de duas audiências públicas, que o governo do estado está prestes a patrocinar o que podemos classificar, sem eufemismo, de devastação ambiental. O governo, através da CPRH, contratou um consórcio constituído pelas empresas ODEBRECHT TRANSPORT PARTICIPAÇÕES S.A, INVEPAR e QUEIROZ GALVÃO CONSTRUÇÃO para elaboração de um RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL–RIMA, onde consta estudo para implantação do ARCO VIÁRIO METROPOLITANO. Entre as alternativas de trajeto da “highway” (rodovia classe 0, ou seja: rodovia com bloqueio total para pedestres e animais), duas destacam-se: alternativas 2 e 3. A alternativa 3 caracteriza-se por ser de menor impacto ambiental; era a alternativa defendida “inicialmente” pela equipe técnica do CPRH; e a alternativa 3, de maior impacto ambiental, é a sugerida e decidida pelo consórcio, sob o argumento financista de que representa o “menor custo de implantação para igual funcionalidade e ainda que por aumentar em 20 km o trajeto compromete a atratividade do empreendimento”. A CPRH capitulou, rendeu-se às argumentações escamoteadoras que construíram o RIMA.
Reserva florestal da APA:
patrimônio de Pernambuco

O que tudo isso tem a ver com as comemorações dos dias da FLORESTA e da ÁGUA? O TRECHO NORTE do ARCO proposto pela alternativa 3 rasga o coração da APA ALDEIA-BEBERIBE exatamente onde se localizam os mais importantes ativos ambientais: a área reconhecida legalmente como de PROTEÇÃOÇÃO DE MANANCIAS, a MATA DO CIMNC (o maior fragmento de Mata Atlântica ao norte do Rio São Francisco) e diversos fragmentos de matas pertencentes à Usina São José. Observem que quando falamos de mata falamos na verdade de fragmentos. Há diversos estudos que indicam que o que resta da Mata Atlântica é quase nada. Em 1996, portanto há 17 anos, o estudo de “Coimbra-Filho & Câmara, 1996” indicava que o remanescente era de apenas 5%. Hoje há quem fale em 3 ou 2%. Enfim, seja quanto for, nosso olhar evidencia que resta muito pouco. Diante dessa realidade, pode haver decisão mais doentia do que essa anunciada? Como pode algum gestor público, gestor privado, cidadão ... considerar como natural e ainda como de INTERESSE PÚBLICO (argumentação que consta do RIMA) uma alternativa que implica em mais destruição do tão pouco que nos resta? Na lógica desse pessoal a NATUREZA não entra como variável em suas equações.

Redigi um documento apontando as contradições do relatório do consórcio e das ações do governo (representado pelo seu órgão responsável – CPRH). Encaminhei e protocolei o documento na ouvidoria do CPRH. Também encaminhei ao Secretário do Meio Ambiente de Pernambuco – Sr. Sérgio Xavier.

A quem interessar ler o documento e melhor entender o que está acontecendo, disponibilizo o link onde ele pode ser acessado, abaixo:

2013: Ano Internacional de Cooperação Pela Água


No Dia Mundial da Água, a grande preocupação é o aumento da demanda e a contaminação da água no planeta. 

Riscos

Por um lado, temos uma população sempre crescente e os maus hábitos de desperdício e poluição; por outro lado, temos a mesma quantidade de água no planeta, há milhões de anos. Segundo  o professor Carlos Eduardo Morelli Tucci, doutor em Recursos Hídricos pela Universidade do Colorado (USA), existem dois riscos: "o risco de escassez por aumento da demanda (maior quantidade de usuários e demanda) e da escassez de qualidade devido à contaminação da água disponível”.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que, em 40 anos, a demanda deve crescer mais de 50%. Por isto, a temática deste ano é a "Cooperação pela Água", cujo objetivo é conscientizar a população do mundo sobre o grande desafio que é gerenciar a água do planeta.

O fenômeno chamado Ciclo Hidrológico explica o fato de a quantidade de água na Terra permanecer a mesma há milênios: as águas evaporam, condensam-se em nuvens, voltam à terra em forma de chuva ou neve que escorre para o subsolo, o rio e os lagos e, enfim, voltam ao mar. É um ciclo perfeito. No entanto, a água vem se perdendo pela contaminação provocada por ações do homem. No Brasil, menos de 40% do esgoto é tratado.

Consumo inconsciente

Segundo dados da ONU, uma pessoa bebe em média 2 litros de água por dia, mas são necessários de 2 mil a 5 mil litros de água para produzir sua alimentação diária.

Nossa fome de bifes também sai muito cara: a pecuária é uma das mais importantes fontes de poluição do meio ambiente, consumindo grandes quantidades de recursos e produzindo  resíduos e gases que contaminam o solo, a água e o ar. Para se ter uma idéia, a contaminação das águas superficiais por coliformes fecais  chega a 85% em algumas regiões do Sul do Brasil. 

Para produzir-se cada quilo de carne bovina são necessários aproximadamente 43 mil litros de água (somando-se a água bebida pelos animais e a água utilizada para produzir o seu alimento).

São dados para reflexão e tomada de atitude AGORA, se queremos preservar a vida no planeta. A escolha está em nossas mãos: ou mudamos nossos hábitos nocivos ou pereceremos todos, vítimas da própria inconsciência e comodismo.